Artigo da semana
O que acontece na sala quando um líder diz a verdade
Há uns anos, numa reunião com toda a equipa, disse que nos últimos meses andava com muito medo de tomar decisões. Que não tinha certezas do caminho certo.
Houve um silêncio.
As pessoas ficaram surpreendidas. Tinham-me como alguém confiante, segura, sem dúvidas. E eu estava ali a dizer exatamente o contrário.
Antes de abrir a boca, tive receio de que me julgassem. De que vissem fraqueza onde eu queria que vissem liderança. Mas disse na mesma.
E o que aconteceu foi o oposto do que temia. Algo mudou na sala. As pessoas ficaram mais atentas umas às outras. Mais presentes. Como se aquela honestidade tivesse dado autorização a todos para serem também eles humanos.
É isso que a vulnerabilidade faz quando vem de um líder. Não enfraquece. Aproxima.
Trabalho com líderes há anos e há um padrão que se repete. Quando o tema surge, o maior medo não é errar. É que a equipa deixe de os respeitar se souber que também eles têm dúvidas. Que a autoridade depende da ausência de hesitação.
Mas as equipas não respeitam os líderes por serem perfeitos. Respeitam-nos por serem reais.
Um líder que nunca admite que não sabe não inspira confiança. Cria distância. As pessoas aprendem a esconder as suas próprias dúvidas, a fingir que tudo está bem, a não trazer os problemas antes de se tornarem crises.
A vulnerabilidade de um líder não é o oposto da força. É o que torna a força sustentável.
Nos últimos dias
Formação
Bosch — Liderança Empática
Estive com líderes da Bosch numa manhã que foi densa, honesta e daquelas que ficam.
Trabalhámos três temas em profundidade:
A escuta ativa como ferramenta de liderança. A diferença entre ouvir para responder e ouvir para perceber. E o que muda nas equipas quando os líderes praticam a segunda.
A vulnerabilidade como sinal de força. O que acontece quando um líder admite que não sabe, que errou, que também tem dúvidas. E porque é que isso, ao contrário do que se teme, não fragiliza — aproxima.
A segurança psicológica nas equipas. Como criar condições para que as pessoas digam a verdade antes dos problemas se tornarem crises. E o papel concreto do líder nesse processo.
No final, o que ficou na sala foi silêncio. Do bom. O silêncio de quem está a pensar em algo que vai mudar o que faz amanhã de manhã.
Onde me podes encontrar
A minha agenda
Estes são os próximos momentos onde vou estar. Aparece — adoro conhecer quem me lê.
Destaque
9 Abr · 18h30 · Fnac Chiado, Lisboa
Lançamento do meu novo livro
E também no Porto
15 Abr · 18h30 · Fnac NorteShopping, Porto
Lançamento do meu novo livro
22–23 Abr
Empack Porto 2026
Porto
26 Abr
Feira do Livro da Ribeira Brava
Ribeira Brava · Madeira
28–29 Abr
HR Week Lisbon
HR x AI Teaming · Lisboa
7–8 Mai
LabSummit Coimbra
Coimbra
Para consumir esta semana
Livro
Radical Candor
Sobre a coragem de ser honesto com as pessoas à tua volta, mesmo quando é difícil. Kim Scott trabalhou durante anos com líderes da Google e da Apple e o que encontrou foi sempre o mesmo: o maior problema não é a crueldade. É a falta de coragem para dizer a verdade com cuidado.
Filme
Good Will Hunting
Um génio que tem medo de ser visto a sério. Um terapeuta que também admite as suas feridas. Um dos retratos mais honestos alguma vez feitos sobre o que custa deixar que alguém nos conheça de verdade. Fica.
Podcast
How to Fail with Elizabeth Day
Entrevistas a pessoas bem sucedidas sobre os seus maiores fracassos e o que aprenderam. Simples no conceito, fundo no conteúdo. Cada episódio é uma prova de que admitir que se falhou é o começo de quase tudo o que vale a pena.
Alguém que vale mesmo a pena conhecer
Liz Wiseman
Liz Wiseman passou anos a estudar o que distingue os líderes que ampliam o talento das pessoas à sua volta dos que o diminuem — muitas vezes sem perceber que o fazem. O seu livro Multipliers é uma das leituras mais perturbadoras sobre liderança que conheço, porque obriga a perguntar em que categoria estamos. Pouco conhecida em Portugal. Muito necessária.