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Newsletter À Segunda

Edição Nº 8

Fazemos cada vez mais. Mas sentimos que chegamos a cada vez menos.


O tema desta semana

Há uma frase que ouço com regularidade nas organizações onde trabalho, dita por pessoas que sentem que algo não está certo mas não encontram palavras para o dizer:

“Nunca trabalhei tanto. E nunca me senti tão para trás.”

Não é exaustão de quem não trabalha. É a exaustão de quem trabalha sem parar e, ainda assim, tem a sensação permanente de que há sempre qualquer coisa por fazer, que a lista não termina. Que o esforço não chega.

É o paradoxo da produtividade.

A produtividade deixou de ser um meio para passar a ser um fim. Já não produzimos para chegar a algum lado. Produzimos porque ninguém sabe muito bem o que fazer quando não está a fazer nada.

E o sistema está desenhado para isso. As ferramentas de gestão de tarefas não param de crescer. Os emails chegam durante a noite. As reuniões substituíram o trabalho real. E a cultura do “always on” instalou-se de forma tão silenciosa que já nem damos por ela.

O resultado? Pessoas muito ocupadas, profundamente insatisfeitas, e sem conseguir perceber exactamente o que corre mal.

O problema não está na falta de disciplina ou de método. Está na confusão que fazemos entre movimento e progresso. Entre estar ocupado e estar a avançar. Entre responder a tudo e fazer o que realmente importa.

Os líderes mais admirados não são os mais rápidos. São os que sabem, com clareza, o que merece a sua atenção e o que não merece. Os que conseguem dizer não com clareza e assertividade.

A reflexão que trago para esta semana não é “como posso fazer mais?”

É: “O que estou a fazer que não me leva a lado nenhum?”

A resposta a essa pergunta, dada com coragem, costuma mudar tudo.


Trabalhei durante 3h com um grupo privado, de líderes e investidores,

Esta semana estive numa sala diferente das habituais. Um grupo privado, líderes e investidores, que se reúne para pensar em conjunto sobre o que significa ter voz, ter presença e ter algo genuíno a dizer. O tema foi thought leadership: não como estratégia de marketing, mas como responsabilidade de quem ocupa espaço de influência.

O que ficou da conversa? Que a maior barreira ao pensamento de liderança autêntico não é a falta de ideias. É o medo de que as ideias não sejam suficientemente “originais”. E que essa paralisia é, ela própria, o maior obstáculo à voz real de cada um.

Saí de lá com a convicção de que o que mais falta às lideranças não é mais conteúdo. É mais coragem para dizer o que já se sabe.


📖

Livro

Four Thousand Weeks

Oliver Burkeman · 2021

Uma das minhas leituras preferidas sobre tempo, produtividade e a ilusão de que um dia vamos “chegar ao fim da lista”. Burkeman desmonta com rigor e humor o culto da eficiência e propõe uma alternativa radical: aceitar a limitação como libertação. Difícil de parar de ler. Difícil de não aplicar.

🎬

Documentário

The Grab

Gabrielle Brady · 2024

À superfície, é um documentário sobre recursos naturais e poder global. Mas o que ficou comigo foi outra coisa: a forma como sistemas inteiros funcionam à base de velocidade, urgência e eficiência, sem espaço para questionar se o que estamos a fazer faz sentido. Uma metáfora poderosa para o que acontece também dentro das organizações.

🎙️

Podcast

The Ezra Klein Show

The New York Times · Ezra Klein

O episódio “Why You Feel So Busy” é uma das melhores conversas que ouvi sobre a tirania da produtividade. Klein faz perguntas que nos retiram todas as certezas que (achamos que) temos, e isso é exactamente o que precisamos. Uma hora bem investida para perceber porque é que trabalhar mais não está a funcionar.


Cal Newport

Investigador · autor de Deep Work e Slow Productivity

Cal Newport é professor em Georgetown e uma das vozes mais bem posicionadas sobre o que significa, realmente, trabalhar bem. Não é um guru da produtividade no sentido convencional. É alguém que usa a investigação para demonstrar porque é que a forma como trabalhamos está profundamente errada. O seu conceito de slow productivity, fazer menos, mas melhor, e a um ritmo sustentável, é exactamente o antídoto ao paradoxo desta edição. Conhecê-lo é perceber que o problema nunca foi a falta de organização. Foi o excesso de tudo o resto.


Maio

7 e 8 Mai

Lab Summit, Coimbra
Talk ‘‘Empathy as a Strategy’’

15 Mai

Vozes Femininas do Empreendedorismo, Parque dos Poetas, Oeiras

17 Mai

Mulheres como Tu, Your Hotel & SPA, Alcobaça

20 Mai

IAPMEI, Webinar 360

27 Mai

Game Changers Forum, Cidadela de Cascais

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