O tema desta semana
Há uns anos, numa formação de equipa, um team leader interrompeu-me a meio de um exercício e disse-me isto: «Ó Sofia, eu passo o dia a tentar não desiludir ninguém.»
A frase nunca mais me largou. E quanto mais trabalho com organizações, mais a reencontro, dita por outras palavras, noutras caras, noutros setores. Porque há uma camada inteira de pessoas nas empresas que vive exatamente assim: entre a pressão de quem está acima e o cansaço de quem está ao lado. Entre metas que não escolheram e problemas que têm de resolver. Entre decisões que não controlam e expectativas que não param de crescer.
Chamamos-lhe middle management. Eu prefiro chamar-lhe a camada que segura tudo.
E aqui está o paradoxo que me intriga: nunca se falou tanto em formar líderes. Todos os dias aparece alguém novo a treinar líderes, a fazer coaching de líderes, a escrever sobre o que um líder deve ser, fazer e sentir. Mas quase ninguém fala de dar ferramentas a quem lidera no sítio mais apertado da organização. Sem palco, sem glamour e sem rede.
A camada que segura tudo, em números:
43% dos middle managers sentem-se em risco de burnout com frequência ou em permanência (Gallup). Apenas 20% concordam fortemente que a empresa os ajuda a ser bons gestores de pessoas (McKinsey). Quase 9 em cada 10 sentem-se presos entre expectativas contraditórias da liderança sénior e das suas equipas (Harvard Business Impact, 2025).
Em Portugal, 63% dos trabalhadores afirmam sofrer ou já ter sofrido de burnout, apontando o stress e a sobrecarga como principais causas (ManpowerGroup, Global Talent Barometer 2026).
Fontes: Gallup, State of the Global Workplace · McKinsey · Harvard Business Impact · ManpowerGroup
E há mais um número que diz tudo: sobrecarregados de tarefas administrativas, estes profissionais dedicam menos de 25% do tempo àquilo que verdadeiramente pede liderança (gerir pessoas e desenvolver talento).
O lugar de manager é um dos mais exigentes, mais determinantes e menos vistos de toda a organização. E, na maioria dos casos, ninguém preparou estas pessoas para ele. Foram promovidas porque eram boas no que faziam e, de um dia para o outro, passaram a ser responsáveis por aquilo para que nunca receberam preparação: pessoas.
A boa notícia é que isto tem solução. A partir dos pain points que fomos identificando nas empresas com quem trabalhamos (a pressão de dois lados, a tradução de estratégia em ação, o desgaste que ninguém vê), construímos dois módulos de formação dedicados a quem lidera no meio:
The Inside Effect®.
Módulo 1 · Liderar entre dois mundos (2h30)
O papel de quem lidera no meio · Dar más notícias · Traduzir estratégia em ação · Gerir a mudança
Trabalhado com o modelo de mudança de John Kotter (Harvard Business School), o método do Harvard Negotiation Project para conversas de más notícias e os mapas de estratégia de Kaplan e Norton, que transformam objetivos abstratos em ação concreta.
Módulo 2 · Cuidar de quem cuida (2h30)
A psicologia do «meio» · Conversas difíceis e conflito · Delegar e confiar · Feedback contínuo
Trabalhado com a segurança psicológica de Amy Edmondson (Harvard), a abordagem RULER de inteligência emocional (Yale Center for Emotional Intelligence), o modelo Thomas-Kilmann para o conflito e o feedback SBI (Center for Creative Leadership).
Uma manhã típica
| 9h00 | Check-in «De que lado aperta?»: cada pessoa chega, tira um cartão e conta em trinta segundos o que mais lhe pesa esta semana, se a pressão de cima ou o desgaste ao lado. Entramos logo no tema, sem slides de aquecimento. |
| 9h15 | Primeiro bloco de trabalho: ferramentas na mão, casos reais da própria equipa em cima da mesa. |
| 10h45 | Nata break. Quinze minutos em que o café é bem-vindo, mas o pastel é obrigatório. |
| 11h00 | Segundo bloco de trabalho: prática, simulações e as conversas que ninguém quer ter, treinadas em ambiente seguro. |
| 12h15 | Compromissos: cada pessoa define um compromisso concreto para pôr em prática logo na semana seguinte. |
| 12h30 | Check-out. A equipa volta ao trabalho, mas já não volta igual. |
| + 21 dias | Sessão online de follow-up: voltamos a olhar juntos para os compromissos do check-out, objetivos frente a resultados. O que aconteceu, o que ficou por acontecer e o que fazemos com isso. |
Isto já existe e está pronto a ser teu e da tua empresa: em grupo, com a tua equipa de managers, ou em formato individual, num 1:1 comigo.
Queres levar esta formação para a tua organização? Escreve-me e envio-te o programa completo.
Nos últimos dias
O poder da empatia, no QSP Summit
Subi ao Lab Stage do QSP Summit para falar de uma convicção que me acompanha há anos: a empatia é uma competência de liderança, e das mais sérias. A sala esgotou, e no fim ainda ficámos juntos na sessão de autógrafos, em conversas que me encheram o coração e que trouxe comigo para casa.
Fica aqui o meu agradecimento ao Rui Ribeiro, a mente genial por trás deste evento, e a toda a equipa do QSP, que foi inexcedível comigo do primeiro ao último minuto. E a cada pessoa que escolheu estar naquela sala: obrigada. Saí de lá ainda mais convencida do que entrei:
o mundo precisa muito de empatia.
Para consumir esta semana
Livro
The Making of a Manager
Julie Zhuo tornou-se manager aos 25 anos, no Facebook, sem fazer ideia do que estava a fazer. Este livro é a conversa honesta que quase ninguém tem com quem acaba de ser promovido: o que muda, o que assusta e o que realmente importa quando passamos a ser responsáveis por pessoas.
Para ver
Ted Lasso
Um treinador que não percebe nada de futebol e percebe tudo de pessoas. Debaixo do humor está uma masterclass sobre liderar no meio: absorver a pressão de cima, proteger a equipa em baixo e nunca perder a humanidade pelo caminho.
Para ouvir
Coaching Real Leaders
Sessões reais de coaching com líderes em momentos difíceis, muitos deles exatamente no «meio» de que falo hoje. Ouvir estas conversas é perceber que as dúvidas de quem lidera são muito mais parecidas entre si do que imaginamos.
Uma pessoa a conhecer
Amy Edmondson
Esteve no QSP Summit e foi um privilégio enorme ouvi-la ao vivo. É a grande referência mundial em segurança psicológica: a ideia de que as equipas só dão o melhor quando as pessoas podem falar, errar e pedir ajuda sem medo. O trabalho dela é a fundação de tudo o que defendo no pilar «A Equipa».
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Julho
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Em Julho e Agosto
Tenho alguns dias em agenda para preparar contigo a reta final do ano, o teu e o da tua organização.
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