Arquivo da newsletter

Newsletter À Segunda

Edição Nº 4

73% dos trabalhadores europeus já desistiram. Mas ainda estão no escritório.


Liderar sem empatia tem um preço. E alguém está sempre a pagá-lo.

Há uma imagem que uso muitas vezes em formação: a de um barco com um furo pequeno. Ninguém o vê logo. A água entra devagar. E um dia, quando alguém finalmente olha para o fundo, já não é um furo. É uma inundação.

É assim que funciona a liderança sem empatia. Não destrói de um dia para o outro. Vai corroendo a confiança, a energia, o sentido de pertença, até que alguém sai pela porta e mais ninguém percebe bem porquê.

Os números de 2025 são claros:

400B€

Perdidos na Europa por falta de envolvimento

Gallup, 2025

73%

Dos trabalhadores europeus sem envolvimento

Gallup, 2025

70%

Do envolvimento da equipa depende do líder

Gallup, 2025

A Europa tem os números de envolvimento mais baixos do mundo, há cinco anos seguidos. Um em cada oito trabalhadores está verdadeiramente comprometido com o que faz. Os restantes estão presentes. Mas já não estão lá.

Um líder que não ouve, que não reconhece, que gere pelo resultado e ignora o processo, não é necessariamente mau profissional. É, muitas vezes, alguém que nunca aprendeu que gerir pessoas exige outro músculo. E esse músculo tem nome: empatia.

Não é simpatia. Não é concordar com tudo. Não é ser bonzinho. É a capacidade de perceber o que o outro está a viver e de deixar que isso informe as suas decisões.

Lembro-me de uma sessão com uma equipa de gestão de uma empresa de média dimensão. Pedi a cada líder que escrevesse, numa folha, o nome de alguém da sua equipa de quem soubesse algo pessoal relevante, algo que não fosse sobre trabalho. Algo que mostrasse que aquela pessoa existia para além da função. A maioria ficou em silêncio. Não por falta de boa vontade. Por falta de hábito. Nunca tinham parado para perguntar.

Nas organizações onde trabalho, o padrão repete-se: as equipas mais produtivas não têm necessariamente os melhores processos. Têm os melhores líderes. Líderes que aparecem. Que perguntam. Que ouvem sem já estarem a preparar a resposta.

O furo no barco não desaparece sozinho. Mas um líder empático sabe vê-lo antes de ser tarde.

Palco

Zome Summit 2026 · Punta Umbría

O Zome Summit, em Punta Umbría, foi daquelas experiências que me recarregam por completo. Estive em palco com consultores e líderes de uma das maiores redes imobiliárias de Portugal e foi uma manhã com muita energia, muita cumplicidade e momentos que não esquecerei tão cedo.

Levei um prego, um pato de borracha e uma folha de papel em branco. Três objectos simples para falar de transformação. O prego representa o desconforto que adiamos porque sair dói mais do que ficar. O pato representa o risco de fazer um pouco de tudo e não ser inevitável em nada. E a folha mostrou, de forma muito clara, que a comunicação não é o que dizemos. É o que o outro ouve. E esses são, quase sempre, dois mundos completamente diferentes.

Foram três dias incríveis! Toda a equipa da Zome está de parabéns. É um orgulho e um privilégio trabalhar com pessoas tão comprometidas.

Estes são os próximos eventos onde vou estar. Se estiveres por perto, aparece, adoro conhecer quem me lê.

9 Abr

Lançamento de Às vezes mudar é ficar Novo livro

Fnac Chiado · Lisboa · 18h30

O meu sétimo livro e o mais autobiográfico de todos.

15 Abr

Lançamento de Às vezes mudar é ficar Novo livro

Fnac NorteShopping · Porto · 18h30

O meu sétimo livro e o mais autobiográfico de todos.

17 Abr

Happiness & Leadership Summit

Lisboa

22–23 Abr

Empack Porto 2026

Exponor · Porto

24 Abr

Feira do Livro da Ribeira Brava

Ilha da Madeira

28–29 Abr

HR Week

Centro de Congressos de Lisboa

📖

Livro

Dare to Lead

Brené Brown

Brené Brown passou anos a investigar vulnerabilidade e coragem. Neste livro, aplica essa investigação directamente à liderança. O argumento central é simples e incómodo: liderar com empatia exige coragem. Não é o caminho mais fácil. É o mais eficaz.

🎬

Filme

O Estagiário

Nancy Meyers, 2015

Ben Whittaker tem 70 anos, uma vida inteira de experiência, e volta ao mundo do trabalho como estagiário numa startup liderada por uma jovem directora-geral. O que parece uma comédia ligeira é, na realidade, um retrato muito honesto sobre o que acontece quando alguém lidera com pressa demais e escuta de menos. E sobre o que muda quando alguém aparece, sem agenda, apenas a estar presente.

🎙️

Podcast

How to Be a Better Human

TED / Chris Duffy

Um dos episódios que mais recomendo em contexto de formação é o dedicado à empatia como prática e não como traço de personalidade. A ideia de que a empatia se exercita, e não se tem ou não se tem, é exactamente o que levo para as salas onde trabalho.

Jamil Zaki

Investigador · Universidade de Stanford

Jamil Zaki dirige o Laboratório de Neurociência Social de Stanford e dedica a sua investigação a uma ideia que desafia o senso comum: a empatia não é um traço fixo de personalidade. É uma competência que se desenvolve. O seu trabalho mostra que as pessoas que acreditam poder tornar-se mais empáticas, de facto tornam-se. Para quem trabalha com liderança, esta distinção muda tudo. Porque deixa de ser uma questão de “ele é assim” e passa a ser uma questão de escolha.

Newsletter À Segunda

Receba a próxima edição no seu email.

Formulário por ligar, em preparação.

Sem spam. Cancele quando quiser.