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Newsletter À Segunda

Edição Nº 23

O elogio que ninguém deu. Esta edição não é para ler até ao fim.


O tema desta semana

Numa das formações que dei este ano, pedi a cada pessoa que escrevesse num papel o nome de alguém que a tinha feito crescer no trabalho. Toda a gente escreveu depressa, sem hesitar. Depois pedi a segunda parte: escrever a essa pessoa aquilo que nunca lhe tinham dito. A sala mudou de temperatura. Um diretor comercial, daqueles que falam de improviso em qualquer palco, ficou dois minutos a olhar para o papel em branco. No fim, disse-me: «Eu penso estas coisas há anos. Só nunca as disse.»

Não era ingratidão. Era hábito. Guardamos os elogios para as ocasiões formais: o jantar de despedida, a festa de Natal, o discurso de reforma. Dizemos às pessoas o que elas valem quando estão de saída, e depois estranhamos que se sintam invisíveis enquanto ficam. Reconhecer é gratuito, demora dois minutos, e quase ninguém o faz a tempo.

Se te veio um nome à cabeça enquanto lias, o elogio já existe. Só falta entregá-lo.

Por isso, esta edição é diferente de todas as que já te enviei. Não trago estatísticas, nem três ações para amanhã de manhã. Agosto pede outra coisa. Trago-te uma tarefa, e vou pedir-te que a faças agora, antes de chegares ao fim do texto.

A tarefa desta edição

Escreve o elogio. Agora.

Pega no telemóvel e escreve uma mensagem à pessoa cujo nome te veio à cabeça. Três linhas chegam:

1

O que a pessoa fez. Concreto: o dia, o projeto, a frase, o gesto.

2

O efeito que teve em ti. O que mudou, o que aprendeste, o que aguentaste melhor por causa dela.

3

Porque ainda te lembras. É aqui que mora o elogio verdadeiro: o tempo passou e aquilo ficou.

Envia antes de continuares a ler. Eu espero.

Este espaço é de propósito. O texto continua quando voltares.

Já está? Então deixa-me dizer-te o que provavelmente vai acontecer. A resposta vai ser curta, talvez desajeitada, porque quase ninguém sabe receber um elogio a sério. Não te deixes enganar por isso: a tua mensagem vai ser relida mais vezes do que imaginas. Os elogios concretos guardam-se. Alguns, durante anos.

E se não escreveste, também está bem. Esta edição não tem prazo: fica aqui à tua espera, e cumpre no dia em que a fizeres. Mas repara numa coisa. Se houve um nome que te ocorreu logo no primeiro parágrafo, a parte difícil já está feita. Falta só a mais fácil, que é dizê-lo em voz alta.

E deixo-te a pergunta desta semana: de quem é o elogio que devias ter dado e ainda não deste? Se já o entregaste, conta-me nos comentários o que aconteceu a seguir. São as melhores histórias que esta newsletter pode receber.


Já que esta edição te pediu para escreveres em vez de leres, fica justo contar-te o que eu ando a ler. Cinco livros na mala este mês: quatro para pensar melhor sobre pessoas, equipas e esperança, e um romance para o fim da tarde.

Como Ler as Pessoas

David Brooks · Desassossego

Sobre a arte de fazer os outros sentirem-se vistos, que é exatamente o que esta edição te pediu. Brooks defende que há pessoas “iluminadoras” e pessoas “diminuidoras”, e que a diferença se treina. Se só levares um livro este mês, leva este.

Silêncio: O Poder dos Introvertidos

Susan Cain · Temas e Debates

O clássico sobre as pessoas que preferem ouvir a falar, e que por isso raramente pedem o palco. Mudou a forma como olho para as salas de formação. E repara na ligação com esta edição: os elogios que ficam por dar vão quase sempre parar aos mais calados.

Humanidade: Uma História de Esperança

Rutger Bregman · Bertrand

Bregman percorre décadas de ciência e de histórias reais para defender uma ideia simples e corajosa: a maioria das pessoas é decente, e as equipas funcionam melhor quando são lideradas a partir dessa premissa. O livro mais otimista que vais ler este ano, e talvez o mais útil.

The Fearless Organization

Amy Edmondson · Wiley (em inglês)

A fonte original de quase tudo o que hoje se diz sobre segurança psicológica, escrita por quem criou o conceito. Edmondson explica que segurança psicológica é poder discordar, perguntar e errar sem represálias, o que é bem diferente de conforto. Vais ouvir-me voltar a este tema em breve.

Stoner

John Williams · Dom Quixote

O romance. A história de um professor comum, de uma vida comum, que quase ninguém à sua volta soube reconhecer. Escrito em 1965, redescoberto décadas depois, e impossível de largar. Quando o fechares, vais perceber porque o escolhi para esta edição em particular.


12 Set

The Shift, Lisboa

19 Set

Faz a Tua Mudança, Taguspark

24 Set

Happiness Camp, Porto

26 Set

Health Fest, Lx Factory, Lisboa

10 Out

Game Changers Forum, MEO Arena

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